A abertura do Festival América do Sul 2026 será marcada por um espetáculo dedicado à obra de Mercedes Sosa, uma das vozes mais emblemáticas da música latino-americana. A apresentação “Mercedes Sosa – A Voz da América do Sul” acontece nesta quinta-feira (14), às 19h30, no palco principal do evento, em Corumbá.
O concerto é resultado da colaboração entre a Orquestra Sinfônica de Campo Grande e a Orquestra de Câmara do Pantanal, do Moinho Cultural Sul-Americano, em uma proposta que aproxima a música de concerto da canção popular latino-americana.
A história nas partituras
Entre os momentos especiais do concerto, estará a participação do cantor Virgílio Miranda na interpretação de Años, célebre dueto eternizado por Mercedes Sosa e Pablo Milanés.
Segundo o maestro Eduardo Martinelli, a ideia do espetáculo surgiu a partir de uma experiência vivida no festival do ano passado, quando músicos de todos os países da América do Sul se reuniram para a abertura da Orquestra América do Sul.
“A Mercedes Sosa faria uma apresentação no Festival América do Sul, em 2009, mas precisou cancelar por motivos de saúde. Na época, eu havia sido convidado para reger a orquestra que a acompanharia. Infelizmente, algum tempo depois, ela morreu. Então, acho que estávamos em dívida com sua música e com sua história.”
Essência da artista
O maestro destaca que o principal desafio foi preservar a essência da cantora, sem permitir que a grandiosidade da formação sinfônica se sobrepusesse à força original das canções.
“O maior desafio foi colocar a orquestra como um integrante do grupo de Mercedes, e não roubar o protagonismo com todo o seu poder sonoro, seus timbres e a diversidade de instrumentos, fazendo uma versão sinfônica baseada na Mercedes. Pelo contrário, é fazer a Mercedes como ela é, com todo o seu DNA, respeitando as questões linguísticas e rítmicas. Quem assistir ao espetáculo verá Mercedes em sua essência, com a orquestra proporcionando uma nova roupagem, mas sem descaracterização.”
“Há solos, duetos, trios e momentos em que cada cantora se apresenta sozinha. Foi a parte mais lúdica da criação do espetáculo. O maior desafio foi reunir quase 30 músicos de duas orquestras, incluindo pessoas que vivem em cidades diferentes. Mas todos estão muito ansiosos para este grande momento, que tenho certeza de que marcará a história do Festival América do Sul”, explica Martinelli.