Participantes da 4ª Teia do Centro-Oeste celebram a realização dos fóruns estaduais e a rearticulação das redes

Cerca de 130 representantes de coletivos e organizações de base comunitária do Distrito Federal e dos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás participaram da 4ª Teia/ Fórum dos Pontos de Cultura do Centro-Oeste, realizada na noite desta terça-feira (24), em formato virtual.

O encontro teve como objetivo fortalecer a articulação regional, promover a troca de experiências entre os territórios e preparar as delegações para a 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que será realizada de 19 a 24 de maio em Aracruz, no Espírito Santo.

Representando o Ministério da Cultura (MinC), participaram a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg; o diretor da Política Nacional Cultura Viva (PNCV), João Pontes, e o coordenador-geral de Articulação da Cultura Viva, Leandro Anton.

A programação começou com a apresentação de um vídeo com imagens das quatro Teias do Centro-Oeste, região que hoje concentra 788 pontos de cultura em 151 municípios. Goiás foi o primeiro a promover o encontro da rede estadual de pontos de cultura, em setembro, no município de Inhumas. A Teia do Distrito Federal foi realizada em novembro, em Brasília; a do Mato Grosso, em dezembro, na cidade de Poconé, e a do Mato Grosso do Sul, em janeiro, em Corumbá.

Na sequência, integrantes das comissões organizadoras das Teias enfatizaram a importância da realização desses eventos. Walter Cedro falou como representante do Distrito Federal na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC); Cinthia Mattos, como representante do Mato Grosso; Hélio Martins, pelo estado de Goiás, e Márcia Rolon, pelo Instituto Moinho Cultural Sul-americano, pontão de cultura que foi anfitrião da Teia do Mato Grosso do Sul.

Crescimento da rede

Márcia Rollemberg, que esta semana está em Aracruz para uma série de atividades de preparação para a sexta edição da Teia nacional, lembrou o processo de retomada do Ministério da Cultura e reconstrução de políticas públicas. Celebrou, especialmente, o crescimento da rede de pontos e pontões de cultura nos três anos de gestão da ministra Margareth Menezes: em janeiro de 2023, o cadastro nacional contava com cerca de 4 mil coletivos e entidades culturais certificados; neste mês de março, já são mais de 15 mil.

“A maior rede de educação popular e a maior parceria público-comunitária deste país é a rede de pontos de cultura, que hoje está em 2 mil municípios”, afirmou a dirigente, ressaltando também a rede de pontões de cultura como outra estratégia nacional importante. Dos 42 pontões iniciais, selecionados por edital de 2023, 27 eram pontões territoriais; atualmente, o país conta com 109 pontões territoriais.

Ela também falou da formação de 590 agentes jovens Cultura Viva; das bolsas para mestres e mestras das culturas tradicionais e populares; do reconhecimento desses mestres com a inclusão dessa atividade na Classificação Brasileira de Ocupações; da renovação do Conselho Nacional de Políticas Culturais; dos consórcios com as universidades; das parcerias do MinC para a realização da 6ª Teia no Espírito Santo; da importância da gestão compartilhada e participativa; dos eixos temáticos propostos para o fórum nacional; da contribuição do Cerrado no enfrentamento da mudança climática, entre outros temas.

“É bom termos uma visão histórica da política pública. Estamos implementando direitos culturais que estão sendo materializados, com políticas respondendo. A própria Política Nacional Aldir Blanc é um marco histórico, quando define que a gente tem que focar nas comunidades periféricas, tem que ter ações afirmativas. Mesmo as cotas ainda não sendo muitas vezes efetivas no caso das culturas indígenas, esse direito tem que estar garantido”, destacou Márcia Rollemberg.

Segundo ela, a Cultura Viva vai sendo aperfeiçoada gradativamente e é preciso evoluir as evidências, os dados comprobatórios de que se trata de uma política efetiva, que tem resultados, que beneficia a formação cultural no território, atendendo crianças, adolescentes, jovens e pessoas idosas. “É uma política de cuidados”, reforçou. “A gente está falando do embrião do Sistema Nacional de Cultura. A escala da política cresceu, e muitas vezes não temos o ideal, há momentos de decepção. Mas há um compromisso de efetivar, de aperfeiçoar e de fazer disso uma trilha permanente em que vamos avançando e conquistando”.

Mobilização e articulação

João Pontes, diretor da Política Nacional Cultura Viva, enfatizou a participação de cerca de 3.500 pessoas nos fóruns estaduais de pontos de cultura realizados entre janeiro de 2025 e março de 2026. “Nós já estamos na Teia desde o ano passado. Tem sido um momento importante de efervescência, de mobilização, de articulação de redes. A Cultura Viva está vivendo aquele que talvez seja o momento mais importante da sua história, do ponto de vista da potencialização, do reconhecimento, do investimento por parte do governo federal”, comentou. “Considerando o terceiro ano da Política Nacional Aldir Blanc, vamos passar de R$1,3 bilhão investidos em Cultura Viva”.

Já Leandro Anton, coordenador-geral de Articulação da PNCV, chamou a atenção para a reativação das redes a partir de 2023, com iniciativas como o edital de fomento aos pontões de cultura e incursões aos territórios. “A articulação tem sido não só a partir das regiões metropolitanas e das capitais, mas também do interior do Brasil. Dos 42 pontões de cultura selecionados no edital de 2023, 28 deles estão em cidades que não são capitais. Isso é uma demonstração da força, do impacto dessa política”, afirmou, ressaltando que esta será a primeira edição da Teia nacional realizada fora de uma capital.

Márcia Rolon, fundadora do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, que atua há 21 anos em Corumbá e foi um dos pontões selecionados no edital lançado pelo MinC em 2023, também lembrou que a Teia do Mato Grosso do Sul desta vez foi promovida no interior do estado. “Nós conseguimos sentir essa cultura extremamente viva, unida, pulsante, no momento em que conseguimos, junto com o governo do estado, levar a nossa Teia para Corumbá, fazer o pessoal pegar estrada cheia de lombada, mas de uma beleza incrível, com o Pantanal do lado, e vivenciar aquele momento de diversidade”, disse.

Walter Cedro, por sua vez, comemorou a realização da 3ª Teia/ Fórum dos Pontos e Pontões de Cultura do Distrito Federal em Brasília, no Espaço Cultural Renato Russo, por onde passaram mais de 150 pessoas nos dias 21 e 22 de novembro de 2025. “Foi maravilhoso, um momento muito especial. Conseguimos reavivar a Cultura Viva no Distrito Federal, trazer pessoas de volta. A PNAB foi muito importante também, porque, através dela, conseguimos trazer vários coletivos e associações que não eram pontos de cultura, mas se transformaram em pontos de cultura e vieram somar junto com a gente”, festejou.

Saberes ancestrais

Além de comentar as Teias realizadas na região e as expectativas para a etapa nacional, as pessoas participantes da videoconferência (do total de 130, 50 acompanharam pelo YouTube, no canal do Moinho Cultural) trocaram experiências sobre suas vivências nos territórios. Do Mato Grosso veio o depoimento de Eliane Boropô, integrante do Coletivo Bôloriê Balatiponé. Moradora do território indígena Umutina, na Aldeia Boropô (município de Barra do Bugres), ela falou do trabalho que o povo Balatiponé-Umutina vem fazendo para a revitalização dos saberes ancestrais dentro da comunidade.

“Na década de 40, o povo Balatiponé estava em torno de 15 a 20 pessoas. Hoje ele traz um novo percurso, de resistência, de resiliência, apesar de todas as violências do passado, de não praticar os nossos rituais, não falar a nossa língua materna. A gente tem feito esse trabalho, tem dado visibilidade ao fortalecimento da cultura, dos saberes tradicionais, das nossas danças, dos nossos rituais, dos nossos cânticos. Um processo dentro da nossa comunidade e dentro do espaço da escola também”, afirmou Eliane, que é professora na escola local e esteve no ano passado na Teia do Mato Grosso, em Poconé. “É importante sair do território para buscar informações e levar de volta ações de fortalecimento”

 

Mais conteúdo como esse